José Afonso


musica para uma noite de veraoMartins Miller GIN era o nome dela, quando a abri pela primeira vez, naquela noite quente e, contrariamente, triste, de verão. sentei-me na cadeira velha e podre, onde, outrora, alguém velho e podre fez o mesmo gesto e deitou gin para um copo largo de uísque, bebeu dois goles e pousou-o para ler mais um pouco de um romance pouco ou nada interessante, desses que só lê quem é só ou quem nunca aprendeu a ler. ri-me alto. uma passagem qualquer descrevia uma armadilha de justificações amorosas, parecendo quase um escrito romântico de uma gaiata que perdeu o apaixonado porque os jomusica para uma noite de verao


enquanto o bizarro mundo...(...) Eu vou escrevendo frases sobre este mundo ou sobre outros que posso encontrar neste estranho paralelo de sonhos. Às vezes perco-me tanto na enormidade de ficções, que acabo sempre por me questionar onde pára a realidade no meio do mundo. Se calhar não pára, é isso. Se calhar anda num ciclo desses onde as coisas nunca se descobrem, nunca se sabe e nunca ninguém desconfiou. Verdade seja dita, a realidade é esse bicho que não existe, a realidade pode ser Deus ou uma história simples ouvida pela primeira vez quando se tem cinco ou seis anos. Eu sei lá.enquanto o bizarro mundo...


couple coffeeSempre combinámos o café à mesma hora e no mesmo sítio. Na verdade, tu nunca bebeste o bendito café. Pedias sempre o uísque que, desde que me lembro, te era servido num copo largo de vidro antigo e cheio de marcas de uso. Eu contemplava continuamente o teu ritmo. Ao início só molhavas os lábios, ficavas com o copo na mão à espera que te respondesse ou que continuasse com mais um dos meus diálogos infindáveis. Depois suplicavas por silêncio com o olhar. Concentravas-te na rádio, na voz cansada do locutor e começavas a tragar cada vez mais depressa. Acabavas com umcouple coffee

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Ancient Ways, Modern Days
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